Maria Emilia tem 52 anos. Ela cresceu na região do Vale do Aço, em Timóteo, Minas Gerais. Fez faculdade em Belo Horizonte e iniciou carreira em um banco, onde hoje é gerente.

“Devido ao racismo que presenciei dentro da empresa durante muito tempo, fiquei motivada a compreender isso de um ponto de vista acadêmico e histórico”, conta, acrescentando que, na sequência, fez um doutorado focado em estudos de famílias negras na indústria do aço, em um curso de Gestão Política com foco em temáticas raciais.

Pesquisando sobre temáticas negras, Maria descobriu a Diaspora.Black e, através dela, viajou para a África do Sul. A Diaspora conectou-a também com uma tradutora e um jovem guia local, que lhe ensinou muito da história africana e sul-africana. “Foi nessa viagem que senti, pela primeira vez, a importância da ancestralidade. Isso é muito ignorado no Brasil. A gente não aprende sobre nossa própria história, sobre a história do povo negro, da África. Ajudou-me a reforçar conceitos que antes eram rudimentares na minha cabeça”, diz ela.

Maria voltou ao Brasil “revigorada, buscando me aprofundar nessa ancestralidade e na importância dela na cultura brasileira. Sinto que é uma área renegada no Brasil, e gostaria de fazer algo a respeito”, complementa ela.